Mostrando postagens com marcador voyeur. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador voyeur. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de março de 2009

Uma Grande Notícia


A mulher de meia-idade aguardava sentada com o celular preso entre o rosto e o ombro esquerdo, enquanto utilizava as mãos para acariciar os cabelos da filha que começava a despertar de um sono pesado; Assim que alguém atendeu, a mulher levantou-se, dirigindo-se para fora do quarto em que estava, e começou a sussurrar:


- Alô, amor? Tudo bem?... Você tá em casa?... Hã?... ai, que ótimo! Então, aproveita e vem pra cá agora... ela está acordando... O que?... sei... ahã... ainda não pegou o bolo?... Então corre, pois todo mundo da família tá vindo pra cá, e você conhece sua filha, né? Já já ela percebe a festa de aniversário surpresa... Tá! To te esperando, então. Vem logo, hein? Beijo. Eu também. Tchau.


Assim que desligou o telefone, a mulher voltou ao quarto com um leve sorriso que a teria entregado facilmente, caso sua filha não estivesse ainda sonolenta. Sentou-se ao seu lado e reiniciou o cafuné.


*************************************************************************************


Do outro lado da linha estava o marido, um homem de pouco mais de 55 anos, que aparentava até mais idade em razão da protuberante barriga adquirida com os anos de cervejas e churrascos. Ernesto era seu nome. Visto por todos como um homem calmo e sereno; boa companhia; meio atabalhoado; mas, acima de tudo, tranquilo. Amava a família incondicionalmente, principalmente, Totia, seu grande tesouro. E era para o aniversário-supresa dela que estava atrasado. Tinha que pegar o bolo ainda. Desajeitadamente, correu até a garagem de casa, entrou em seu civic azul e partiu rumo à doceria.


Não gostava de estar atrasado, mas, cronicamente, não conseguia evitar. Isso sempre acontecia com ele. Vivia avoado, dormindo acordado em meio a reuniões contábeis chatas para um homem bem-sucedido como ele. Dinheiro, graças a DEUS, não era problema para ele - não que fosse milionário, longe disso -, mas tinha o suficiente para arcar com todas aquelas futilidades que todos nós desejamos, mas, poucos conseguem ter. Dessa vez, perdera a hora em razão de um longo banho mais do que merecido, mas que estendera-se bem mais do que previra inicialmente. Agora, tinha que pegar o bolo e chegar ao local da festa em menos de 20 minutos. Precisaria correr, mas concluiu que daria tempo.


Alguns minutos depois, chegou a doceria. Antes até do que havia imaginado. Parou o carro em local proibido, pouco se importando com uma eventual multa; afinal, tinha coisas muita mais importantes para se preocupar. A fila era grande, mas a eficiência dos funcionários impressionava. Em menos de um minuto, já estava na boca do caixa sendo atendido por uma bela morena de olhos claros. Entregou a ela seu pedido e aguardou. Infelizmente, para ele, o bolo levou alguns minutos até ser encontrado, fruto de um erro individual, o que o fez perder toda a margem que havia conseguido ao dirigir até ali, acima da velocidade permitida por lei. Agora não teria outra alternativa, socaria o pé no acelerador, novamente.


Entrou no carro apressado, colocando o bolo no banco da frente, e saindo em alta velocidade. Cinco minutos depois, havia perdido a conta de quantos faróis vermelhos havia ultrapassado. Essa festa vai me sair bem cara, concluiu ele. Até que em uma dessas desobediências, não viu um carro que passava pelo cruzamento, quase colidindo em sua lateral, não fosse o agudo de uma buzina que fizera com que ele freasse o veículo com grande reflexo, parando a centímetros da lataria do outro carro. O coração quase pulou pra fora pela boca, e seu pedido de desculpas não acalmou o outro condutor, que o xingava fervorosamente enquanto partia em direção ao seu destino. Ernesto nem retrucou - também nem poderia -, apenas esperou o farol abrir e seguiu para a festa.


Apesar do susto, o homem recompôs-se e voltou a acelerar o automóvel acima da velocidade permitida na avenida em que trafegava. Já estava bem perto, tudo daria certo. Foi quando tomou outro susto ao notar que o bolo, com a freada anterior, caíra do banco do passageiro com a face virada para baixo. Só faltava estar arruinado, pensou aflito. Não quis esperar o próximo farol e abaixou para pegar a caixa. Sentiu, então, uma forte pancada. O estrondo que ouviu foi aterrorizador, de arrepiar a mais brava das almas, e, então, tudo escureceu.


*************************************************************************************


Célia já tinha uma filha de 17 anos de idade, mas adorava sentar-se no sofá da sala e assistir aos desenhos animados que passavam todas as manhãs. Era como se recuperasse parte de sua infância, ou, até, parte da infância da filha que havia passado tão rápido. Um dia, mamadeira e troca de fraldas, no outro, preocupação com drogas e novas amizades. Se bem que Celina era uma menina bem tranquila e comportada. Adorava praticar esportes e dificilmente saía à noite em baladas que varavam a madrugada. O negócio da filha era acordar cedo e curtir a praia que ficava logo ali do outro lado da rua.


Olhou o relógio e viu que eram pouco mais de 10:30 da manhã de um domingo ensolarado e convidativo. Ouvia as ondas quebrando na areia, misturando-se as vozes dos ambulantes que ofereciam desde biscoitos de polvilho até massagens e carregadores de celular. Gritou o nome da filha, que apareceu logo em seguida, com a cabeça para fora do corredor onde ficavam os quartos.


- Celina, já são 10:30. Você não tem futebol hoje?


- Tenho mãe, mas para falar a verdade, estou um pouco cansada do cinema de ontem. Fui dormir tarde.


- Ah, Celina, perder esse dia maravilhosos para ficar em casa não dá, né? Se eu tivesse a saúde de antes, já estaria lá há muito tempo.


- É mãe, você tem razão. Afinal, um futebolzinho na praia não mata ninguém, né?


Celina foi até o quarto e colocou um pequeno short apropriado para o futebol de areia. A cor verde-marinho chamava bastante a atenção, e caía bem em seu corpo bronzeado. Antes de sair, ajudou a mãe a chegar até a varanda, e desceu os dois andares de escada. Elevador era coisa para velho ou deficiente, pensava ela. Quando estava quase chegando ao calçadão, ouviu a mãe gritar, enquanto acenava com algo na mão. Colocou a mão no rosto para impedir que a claridade incomodasse seus olhos, e só então percebeu que havia esquecido seus óculos escuros em casa. Óculos, aliás, que estavam agora na mão de Célia. Provavelmente os esquecera na varanda ao levar sua mãe até lá, pouco antes de descer. Tomou o caminho de volta em um leve trote.


Célia acompanhava a filha retornar ao apartamento, e, assim como Celina, não conseguiu ver o carro azul se aproximando em alta velocidade. Testemunhou, de camarote, a filha ser arremessada em direção ao parabrisa do carro, ficando apenas com o pé para o lado de fora. Quem estava mais próximo pode observar o corpo do condutor esmagado pelo corpo da garota atropelada. Ambos já sem vida.


*************************************************************************************


Lincoln caminhava pela ciclovia em direção ao trabalho quando notou um tumulto poucos metros à frente. Assim como todo curioso, sentiu-se compelido a conferir o que havia acontecido por ali, e ao conseguir abrir espaço por entre a multidão, ficou chocado com a visão do acidente. Um corpo mal coberto por um saco de lixo, esmagado dentro de um Civic azul destruído. Essa era a visão. O saco de lixo bailava com a mais leve brisa, e dava a ele e àqueles ao seu lado, parcial visão do corpo, mas o suficiente para perceberem que era o corpo de um homem.


Recuou em direção a uma árvore, buscando apoio para tontura que sentia. Pôde ouvir uma sirene berrando há poucos metros dali. Pelo que comentavam os curiosos, o homem havia atropelado uma menina, que invadira o parabrisa e esmagara seu corpo. Um havia matado o outro. A ambulância já levara a garota e sua mãe para o hospital, mas a menina já partira sem vida. Aquela imagem do homem morto em seu carro o fez sentir-se muito mal, ainda mais quando criava em sua mente imagens da sua versão do acidente. Saiu de perto daquele alvoroço, sentando-se no chão e apoiando suas costas na árvore. E lá permaneceu, abalado, por mais de duas horas. Não conseguia tirar aquela visão da cabeça. Por que tinha que ser tão curioso? Estava em um transe total quando ouviu seu celular tocar; só podia ser seu chefe, pensou logo. Enfiou a mão no bolso da calça para pegá-lo, mas ao tirá-lo de lá, percebeu que não era ele que tocava, e sim um celular "sem dono" caído logo ali ao seu lado. Esperou alguns segundos para ver se alguém se manifestaria, e como isso não aconteceu, atendeu o telefone. Não podia ouvir qualquer telefone tocar, sem que o atendesse. Sempre fora assim.


- Alô?... Quem é?... Alô?... Aqui é o Lincoln... Não sei, minha senhora. Acabei de achar esse celular no chão... Alô? Alô?


A pessoa do outro lado da linha havia desligado; ficou pensativo, imaginando de quem poderia ser aquele telefone abandonado, e só então viu sangue na mão que segurava o aparelho. Olhou com mais atenção e percebeu o visor avermelhado com o líquido viscoso, e os botões do teclado também. Aquele telefone devia ser do homem morto no acidente. A batida, provavelmente, fizera com que o telefone voasse para fora do carro e parasse somente ali. O coração disparou quando percebeu que aquela mulher ao telefone, possivelmente era sua esposa; e que ainda não sabia nada sobre o que tinha acontecido com o seu marido. Apavorado, pensou em jogar o telefone no chão e ir embora, mas lembrou-se que havia dito seu nome à esposa desavisada, então, resolveu levá-lo até um policial próximo e explicar o que havia acontecido.


*************************************************************************************


A demora do esposo e a chegada dos familiares fez com que Leila iniciasse a festa mesmo sem bolo e sem a presença de Ernesto. A filha fazia 18 anos de idade, mas seu problema crônico no coração acabara com a chance de realizarem a mega-festa que a garota sempre pedira. Quem sabe no próximo ano, né? - dizia ela. Fazia alguns meses que "viviam" naquele hospital, internados dia e noite à espera de um coração para Totia. O dificuldade era o tipo sanguíneo da filha: O negativo. Isso queria dizer, em resumo, que a garota era doadora universal, mas só podia receber sangue de um outro O negativo; porém, se o problema fosse somente transfusão de sangue, nem seria tão grave, mas ela precisava de um coração apto a ser transplantado, de uma pessoa que fosse do mesmo tipo sanguíneo e que tivesse uma família que autorizasse uma doação de órgãos. Com isso, os meses iam se passando e as chances de Totia ter seu quadro clínico agravado ficando maiores. Por isso, que toda a família comparecia ao hospital para celebrar seu aniversário de 18 anos; afinal, ninguém dizia em voz alta, mas aquela poderia ser sua última festa, e, exatamente por isso, que não entendia o atraso de Ernesto. Já devia ter chegado há horas. Pegou seu celular e ligou para o marido.


- Alô!... Como assim quem é, Ernesto? Onde você está?... peraí! Quem tá falando?... Lincoln? Quem é você? Cadê o meu marido?


Nesse momento o médico de Totia, Dr. Oswaldo, entrou na sala pedindo para falar urgentemente com Leila. A mulher desligou o celular na hora, e caminhou aflita até o homem de branco. Temia por notícias ruins sobre o marido, e acompanhou-o para fora da sala. De dentro do quarto, os convidados e a aniversariante observavam com atenção a conversa entre os dois. Aliviaram-se quando viram Leila abraçar o médico efusivamente, com um largo sorriso no rosto. Voltou correndo até o quarto, mas antes que pudesse falar, Totia apressou-se:


- O que foi, mamãe? Más notícias? - questionou ela, já torcendo para ser contrariada.


- Não, minha querida, é uma grande notícia. Acharam um coração para você. Já estão preparando a mesa de cirurgia. Te passaram à frente da lista, pois seu caso é especial. Minha filha, você vai receber um coração novinho em folha.


As pessoas começaram a se abraçar emocionadas com aquela notícia maravilhosa. Totia receberia seu tão sonhado coração naquele dia ainda. Em meio à choradeira, a garota perguntou:


- De quem é o coração, mamãe?


- Não sei, minha querida, não sei. O Doutor só me disse que é de uma garota que foi atropelada algumas horas atrás. Ele não me disse mais nada.


- Mamãe, eu gostaria que rezassemos um pouco em homenagem a essa menina que perdeu a vida. A desgraça dela é minha sorte, e o mínimo que podemos fazer é orar por sua alma. - Totia completou, surpreendendo a todos.


As pessoas ajoelharam-se em volta da cama onde Totia repousava havia meses. Todos oraram emocionados, seguindo o pedido da garota. Todos, menos a mãe. Precisava contar as boas novas ao marido, e, sinceramente, não lamentava a morte da menina; afinal, sua partida significava uma chance para sua amada filha. Discou o número do telefone e aguardou alguns segundos, até que um homem, que não era seu marido, atendeu o telefone.


- Alô? Eu gostaria de falar com o Ernesto. - afirmou ao perceber a voz estranha.


- Quem fala? - perguntou a voz do outro lado da linha.


- Leila, a esposa dele! Quem é que tá falando, hein? Cadê o meu marido?


- Dona Leila, aqui quem fala é o Sargento Delgado. Tenho um péssima notícia... veja bem, houve um acidente com o seu marido e...

Neves e a Garota Voyeur


Sexta-feira era noite propícia para bares, e não boates, afirmava Neves. Profundo conhecedor da milenar arte da paquera, justificava sua teoria, citando as maiores festas que ocorriam durante o ano, e todas elas, realmente, aconteciam aos sábados. Sexta-feira não era noite para beijar várias garotas. Era noite para beijar A garota.


Saiu de casa cedo e foi para um bar com música rock ao vivo. Estava cansado de pagode, samba e eletrônico. Chegou ao bar e já ligou suas antenas. Dizia possuir um singular faro para captar damas emocionalmente abaladas, e sentia profundo orgulho disso. Garotas abaladas eram sinônimo de garotas fáceis, desde que, você tivesse paciência necessária para lidar com elas.


Suas narinas contraíram e dilataram sequencialmente quando farejou sua presa. Uma solitária garota de cabelos curtos e óculos, mexendo seu drink com um longo canudo azul. "Mexer a bebida com canudo é sinal de abalo emocional" pregava a cartilha de Neves. Sentou-se ao lado da mulher que se mostrou, surpreendentemente atraente. Fácil e bonita. Neves achara sua "feijoada".


Conversa vai, conversa vem, e em pouco mais de 1 hora, os dois já deixavam juntos o bar. Cibele o havia convidado para um drink em sua casa. Neves soube aí que faria seus três pontos da noite. O caminho até a casa da menina era longo, mas os amassos durante os sinais vermelhos, faziam a distância parecer menor do que realmente era.


Chegando na casa da garota, Neves foi surpreendido pela decoração que era muito similar à de um motel. A garota imediatamente começou a tirar a roupa de nosso adorado galã. Ao vê-lo totalmente nú, abriu um pequeno sorriso e perguntou se ele aceitaria transar com duas mulheres, enquanto ela estivesse olhando. Disse que preferia ser uma Voyeur. Que gostava de olhar mais do que fazer. Neves nem se importou. O resumo da ópera era que transaria com duas ao invés de uma. Seriam seis pontos em uma noite. Além da chance de faturar mais três na voyeurzinha mais tarde. Nove pontos em uma noite seria a glória.


As amigas de Cibele não demoraram muito. Vestiam máscaras e possuíam corpos fenomenais. Quase ejaculou só ao vê-las se despir. Cibele, pediu que ele olhasse para o espelho enquanto transasse com as meninas, pois aquele era um espelho de duas faces, e ela estaria ali atrás, olhando tudo que acontecesse no quarto.


Neves transou, retransou e transou de novo. Como a vida era boa. Fizera uma suruba de fazer inveja ao diabo. Que noite havia sido aquela. Sabia que sexta-feira era noite para ir a bares. Bêbado e cansado de tanto sexo, acabou dormindo lá mesmo. Ao acordar, viu que as amigas de Cibele já tinham ido embora, e a voyeur dormia no sofá da sala. Foi embora sem se despedir.


Contou a estória para vários amigos, durante semanas, mas nenhum deles chegou perto de acreditar no que fora relatado. Até que um dia, Neves recebeu um e-mail entitulado "Eu acredito...hehehe". Ao abrir o e-mail, viu que o mesmo continha um link http://www.tamanhonaoedocumento.com.br/ . Clicou no endereço e viu, postado bem ali na página de abertura, uma enorme foto sua. Nú. Totalmente despido, no auge de seus quase 12 centímetros. Dentro do site, estava o vídeo de sua transa com as duas garotas. Duas garotas, aliás, que apareciam em, ao menos, metade dos vídeos. Era um site dedicado aos homens não muito bem-dotados, que mostrava caras com pênis pequenos transando com mulheres fabulosas.


Neves desabou em desânimo. Não entendia como uma noite transando com duas mulheres deliciosas, poderia transformar-se em um grande martírio. Talvez fosse melhor se tornar padre, se bem que, jamais seria aceito pela igreja. Não agora, com esse seu filminho rodando na internet. Resolvera processar a garota. Tinha que ser indenizado pelo dano moral sofrido. Arranjou um advogado e entrou com uma ação judicial. Ainda aguarda a audiência marcada para daqui um ano. Mas não mantém muitas esperanças de sucesso. Segundo as más-línguas, o juiz responsável pelo julgamento é assíduo frequentador desse site. "Fora-da-lei" seria o seu LOGIN.